5 de ago de 2010

Entrevista com Carlos Eduardo Palhares André.

Carlos Eduardo Palhares André, o Paulista, atua há mais de 12 anos nas áreas de planejamento e criação de agências de propaganda. Sócio e Diretor de Criação da HappyHouse Brasil, primeira agência de endomarketing do país, que atende clientes como: Vale, Philips, Lojas Renner, Amanco, Sistema FIRJAN, Randon, Braskem, AGCO, Gol, Seara, IBM, entre outras.

Acumula diversos prêmios: Top de Marketing RS 2001 - Categoria Novos Empreendimentos, Top de Marketing Nacional 2003 - Vale do Rio Doce 2003, Colunistas Brasil 2004 - Categoria: Case de Marketing do Ano, trabalho “O Nosso Brasil que Vale” (Vale do Rio Doce), New York Festival 2005 - Troféu de Prata na Categoria Relações Públicas, trabalho “O Nosso Brasil que Vale” (Vale do Rio Doce), ABERJE Sul 2005 - categoria: Vídeo de Comunicação Interna, trabalho: Vídeo Sistema Gerdau de Comunicação Interna, ABERJE Sul 2006 - categoria: Relacionamento com o Público Interno, trabalho: Sistema de Comunicação Interna, Case IABC Gold Quill Awards 2006 - Projeto Seis Veículos, Case IABC Gold Quill Awards 2007 - Projeto Universo Vale (Vale do Rio Doce).

Dia 11 de agosto, o Paulista vai estar em Caxias do Sul ministrando palestra promovida pelo CCCS. Não perca!


CCCS - Qual o objetivo principal do endomarketing, na sua opinião pessoal?

Paulista - Alinhar funcionários à estratégia da empresa na qual fazem parte.

CCCS - Sabemos que essa vai parecer uma pergunta descabida, mas perguntaremos mesmo assim: Endomarketing funciona? É possível realmente fazer mais e engajar colaboradores de forma a incrementar produção/vendas, torná-los extremamente compromissados e contribuir para superar as metas da empresa?

Paulista - Sim. Se levarmos para a vida pessoal fica mais fácil de entender. Todo mundo conhece alguém que não consegue ir em busca de metas e objetivos na vida, por simplesmente não ter definido quais são eles. Na empresa é da mesma forma. Como teremos funcionários engajados em cima de uma causa ou de um objetivo maior, se eles não souberem para onde a empresa pretende ir?

Fica claro a importância de compartilhar objetivos, metas e resultados. Técnicas e ferramentas de comunicação, conteúdo e forma de discurso podem contribuir significativamente para isso.

CCCS - Falando de forma geral, baseados nos seus clientes, como é a relação das empresas com o endomarketing atualmente? As empresas sempre tiveram consciência desta necessidade, ou é algo que aumentou nos últimos anos? É possível notar uma mudança de comportamento na tentativa das empresas de engajar seus colaboradores?

Paulista - Não tenho como negar que aumentou muito nos últimos anos. A disciplina do Endomarketing no Brasil é muito nova. Estamos falando de apenas 20 anos dos primeiros livros sobre o assunto no país. E desde então a demanda tem sido cada vez mais crescente. As empresas perceberam a necessidade de trabalhar o seu público interno para gerarem diferenciais.

CCCS - O que todo criativo tem que ter em mente quando for criar para o público interno?

Paulista - Primeiro que o que serve para uma empresa não serve para outra. Cada tipo de negócio tem suas particularidades, cada tipo de público interno tem um perfil diferente. Empresas até do mesmo segmento podem ter contextos, momentos e culturas também distintas. Ou seja, não existe forma de bolo.

Segundo que estamos falando de comunicação, de pessoas e de profissionais. Ou seja, todo conhecimento da área de propaganda é útil e bem-vindo. Mas as mídias são mais livre e flexíveis. Não existe os 30 ou 60 segundos. Se um jingle for importante para a estratégia desenhada, é bom estar preparado para criar uma música.

CCCS - Comunicação tradicional X novas tecnologias: Quem ganha dentro do endomarketing hoje em dia?

Paulista - Depende de empresa para empresa. Se estivermos falando de uma indústria muito provavelmente as mídias tradicionais ganhem, pois os funcionários de fábrica não terão muito acesso às novas tecnologia. Mas já se for uma empresa de serviço, a lógica pode se inverter.

No entanto, é possível agregar as novas tecnologias sempre. Seja como veículo de comunicação, ou ainda, como uma ação ou em peças de uma campanha, por exemplo, um papel que muda de cor conforme temperatura, uma peça interativa que exija olhar com óculos 3D.

CCCS - Ainda sobre novas tecnologias: É possível ser eficiente usando apenas ferramentas como a internet, por exemplo, em ações de endomarketing?

Paulista - Internet não. Intranet sim. Mais uma vez, dependendo do cliente e do seu negócio. Temos clientes em que todo público interno tem computador. Aí o desafio é outro: Como se destacar na mesma “mídia”?

CCCS - Quando uma empresa já trabalha com alguma agência, quem deve perceber que esta precisa de um trabalho de endomarketing, agência ou cliente?

Paulista - Tanto faz. Mas a minha experiência é de que quando uma empresa não quer ou não percebeu a necessidade, não adianta a agência querer. Não acredito no Endomarketing como uma ação isolada, mas sim algo sério e continuado. Por isso, decidiu fazer, saiba que dificilmente poderá parar.

CCCS - Na sua opinião, o endomarketing é mais importante agora do que era antigamente? Porque?

Paulista - Em função da dinâmica das relações entre funcionários e empresas e da competitividade não posso negar que hoje é mais importante. A grosso modo, antes bastava contratar a pessoa com o perfil adequado e as chances do funcionário permanecer até a aposentadoria eram enormes. Hoje, é preciso engajá-los e ter toda uma política de Recursos Humanos que passa por integração, reconhecimento, desenvolvimento, cultura organizacional, entre outros. E mesmo assim, funcionários e empresas ficaram juntos enquanto a relação for benéfica para ambos.

CCCS - Que dicas você pode dar para estudantes da área, no que diz respeito ao desenvolvimento de uma campanha de endomarketing?

Paulista - Além do que já foi dito, que antes de começar conheçam a empresa e o perfil de funcionários. Antes de buscar ações assertivas, é preciso buscar ações coerentes com a empresa e o seu cenário.

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