29 de abr de 2010

Entrevista com Pedro Pletitsch.

Pedro Pletitsch é diretor de arte e professor da Miami Ad School ESPM. Com passagens pela Fischer America, Young & Rubican, Loducca, Colucci, McCann (Londres e Madri) e McCann SP, acumula prêmios como: Clube de Criação de São Paulo, ABP, Profissionais do Ano, Festival de Nova York, Archive, Graphis, Festival de Londres, Clio, Shots, Fiap, AD&D, One Show e Festival de Cannes. Em julho, Pedro Pletitsch estará em Caxias do Sul ministrando curso de criação promovido pelo CCCS.

CCCS - Como você entrou para o ramo da publicidade?

Pedro Pletitsch - Comecei de um jeito meio diferente. Um professor da faculdade, muito mais artista do que publicitário, passava algumas tarefas estranhas. Posters tridimensionais, embalagens para frutas, coisas meio malucas mesmo. Eu curtia a levava zilhões de idéias. Ele então me convidou pra trabalhar no seu estúdio, onde a gente ganhava uma miséria, fazendo capas de livro (devo ter feito mais de 200), brindes malucos e alguns projetos de ponto de venda. Depois de 4 anos nessa vida, uns caras da McCann ouviram falar das coisas doidas que fazíamos e nos chamaram pra conversar. Em meia hora, o VP de criação nos ofereceu um salário maravilhoso, pra gente fechar o estúdio e montar um departamento de Merchandising dentro da McCann. Em poucos meses percebemos que os clientes eram mais resistentes a novas idéias nessa área, do que no advertising. Então fui recebendo jobs de propaganda e a parte de merchandising foi morrendo naturalmente. Isso aconteceu em 1985, época ainda romântica da propaganda. Hoje acho que seria impensável esse tipo de coisa.

CCCS - O que você acha que é mais importante em um publicitário: Talento nato, criatividade ou experiência?

Pedro Pletitsch - Talento e esforço. Acho que na parte do talento não dá pra mexer. Nascemos com mais ou menos talento. Mas o esforço é nossa arma, ou seja, se vc tem menos talento, compense. Trabalhe mais. Já vi muita gente se dar muito bem com talento médio e muito esforço. E também gente muito talentosa não dar certo por preguiça.

CCCS - Muitas pessoas dizem que atualmente os consumidores se tornaram "imunes" à propaganda. Você concorda com essa declaração? A propaganda ainda faz diferença?

Pedro Pletitsch - As coisas estão se transformando em uma velocidade tão grande, que acho mais confortável dizer que a comunicação ainda faz diferença. Uma boa idéia, e é esse o nosso negócio, sempre vendeu, e sempre vai vender. Seja na TV, na internet, no celular ou no ponto de venda.

CCCS - Quais são os elementos que uma boa propaganda não pode deixar de ter?

Pedro Pletitsch - Bom argumento, relevância para o target, coerência com a verba do cliente e com tudo isso, ainda dar um susto nas pessoas.

CCCS - Num mundo cada vez mais visual, há quem diga que não há espaço para texto. O que você acha disso?

Pedro Pletitsch - Acho difícil comparar dessa forma. Imagens e textos são fundamentais, e apenas tem pesos diferentes dependendo do objetivo. As pinturas do renascimento mudaram o mundo tanto quanto a Bíblia de Gutenberg. Um filme da Apple é tão importante quanto a palestra do Steve Jobs. Como questionar a importância dos discursos do Obama?

CCCS - As novas tecnologias (e principalmente a internet com suas mídias sociais) estão mudando o comportamento dos consumidores. O que a empresa - e o publicitário - precisa ter em mente na hora de criar para essas novas mídias?

Pedro Pletitsch - Acho que a primeira coisa é ser honesto. Pra assumir que estamos todos aprendendo, e ninguém tem respostas seguras nesse novo mundo. Pra ouvir muito as pessoas do seu target antes de sair criando. Elas tem um poder imenso e respondem bem ou mal rapidamente. E pra ser transparente, assumindo riscos junto com o cliente, pois nesse universo, o controle sobre sua mensagem é muito restrito.

CCCS - Fazer apenas uma propaganda criativa hoje, não é suficiente. Você acha que hoje o publicitário precisa agregar mais funções do que antigamente? Publicitário, também tem que ser marketing, psicólogo, filósofo, administrador, vendedor...?

Pedro Pletitsch - Acho que os grandes publicitários sempre foram tudo isso e com mais dificuldade. Hoje, a informação está disponível para todos. Então essa multiplicidade acaba sendo exigida em todas as áreas, pois não é mais um diferencial só de quem pode comprar livros, por exemplo. No geral eu diria que quanto mais informacões pudermos absorver, melhor seremos. É sempre melhor termos muita informacão e utilizarmos uma parte, do que não ter nenhuma.

CCCS - A propaganda muda o consumidor, o consumidor muda a propaganda, os dois ou nenhum?

Pedro Pletitsch - Os dois, claro. Fazer um trabalho brilhante é muito difícil e fazer um trabalho popular também é. Imagine então fazer um trabalho popular e brilhante. Para mim, o trabalho desenvolvido para a cerveja Skol tem sido um exemplo de que isso é possível.

CCCS - Você vai dar um curso em Caxias do Sul em parceria com o CCCS sobre criação. Fale mais sobre como é este curso.

Pedro Pletitsch - É sempre um grande prazer trocar experiências com pessoas de outros mercados. Nesses mais de 20 anos de propaganda, tive a sorte e a oportunidade de trabalhar em grandes e importantes agências, no Brasil e na Europa. Com isso, tive a chance de conviver com grandes profissionais, e de participar de encontros, palestras e projetos em vários lugares do mundo, como Nova York, Londres, Madri e Milão, além de Cannes, onde existem palestras incríveis para apaixonados por propaganda. Tenho muita informação com qualidade e profundidade, que não dá pra simplesmente encontrar na internet. Reuni toda essa informação e organizei de uma forma linear e didática, tomando o cuidado de adaptar para a nossa realidade. Além de São Paulo, já dei esse curso em diversas cidades, e tem sido muito legal, pois nas avaliações que fazemos no final do curso, o índice de ótimo varia de 96% a 100%.

CCCS - O que é mais difícil, tornar um produto desinteressante atraente, vender uma idéia ousada para um cliente ou lidar com o ego de colegas de trabalho?

Pedro Pletitsch - Vamos por partes. O produto meia boca é o mais difícil. Claro que depende de cada caso, mas costuma funcionar melhor quando conseguimos encontrar, com honestidade, um argumento mais emocional, que justifique essa compra. Um daqueles doces vendidos na rua, nada saudáveis, mas que te lembram da infância, por exemplo. A idéia ousada é um pouco difícil e depende muito de o quanto você está preparado para vendê-la. Se você tem argumentos reais, e não achismos, diria que tem 20 % de chance. É pouco, mas se você não tem, sua chance é zero. O ego é o mais administrável. Existe uma teoria que diz que toda prepotência nada mais é do que um escudo para esconder uma fragilidade. Se você não tem nada a esconder, não entra nesse jogo. E como um prepotente só funciona com platéia, quanto menos gente assim, mais o clima melhora. E além do mais, a prepotência na propaganda tá bem fora de moda.

CCCS - A propaganda se transforma ao longo dos anos, acompanhando as mudanças tecnológicas e comportamentais. Qual será o futuro da propaganda, na sua opinião?

Pedro Pletitsch - Acredito que ninguém tem essa resposta, então o que nos resta é estarmos atentos e bem informados. Para nós da criação, a coisa me parece menos assustadora, pois as bases do nosso trabalho não devem mudar. As idéias boas, relevantes, coerentes e ousadas vão continuar vencendo, seja no folheto ou no filme pra celular, pois os meios mudam, mas as emoções das pessoas não. O mergulho no mar, o sorvete no calôr, o vinho na lareira e o Natal para as crianças, não vão morrer. Ainda bem.

Marionetes bem humoradas no Giraffas.

28 de abr de 2010

Vagas Vonpar.

F/Nazca vence GP do 8º Prêmio ANJ.

Com a peça "Faça a diferença", criada para Nike, a F/Nazca S&S conquistou o Grand Prix do 8º Prêmio ANJ de Criação Publicitária, promovido pela Associação Nacional de Jornais. O anúncio foi publicado nos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo em 29/11/2010 e já havia vencido a etapa regional São Paulo da premiação. Os profissionais vencedores - os criativos Pedro Prado e Rodrigo Castellari e os mídias Fernanda De Lamare e Bruno Flocke - ganharam pacotes com passagens, hospedagens, inscrições para Cannes 2010, além de ter o anúncio inscrito pela ANJ para concorrer no Festival.

27 de abr de 2010

Vaga Usina do Relacionamento.

A Usina do Relacionamento está selecionando estagiário de publicidade e propaganda com experiência na área de criação, com conhecimento em Photoshop e Corel Draw. Procura-se pessoas com iniciativa, criatividade e objetivo em acrescentar ao portfólio trabalhos para grandes marcas.

Os interessados devem enviar e-mail com currículo para:

luisa@usinadorelacionamento.com.br


Contrato imediato.

Olivetto mantém Diretores de Criação de W/ e McCann.

Apesar da saída do vice-presidente de criação da McCann Erickson, Alexandre Okada, anunciada na sexta-feira, 23, como primeira baixa causada pela WMcCann, o chairman da nova operação, Washington Olivetto, irá manter nos cargos os diretores de criação da W/ e da McCann Erickson - incluindo os recentemente contratados por Okada. Assim, a nova operação resultante da unirão entre as duas equipes terá dez diretores de criação.

Da atual equipe da W/ permanecem Fabio Meneghini, Fabio Saboya, Guime Davidson e Sergio Franco Junior. Da McCann Erickson ficam Eric Sulzer, Fred Sartorello, Milton "Cebola" Mastrocessario e Tales Bahu, além dos diretores de criação online Fabio Matiazzi e Fernando Penteado.

Olivetto afirma que prefere manter profissionais de "altíssimo nível" como diretores de criação. "Eu sempre me movimentei melhor assim, com uma série de diretores de criação, que seriam vice-presidentes em qualquer agência, mas trabalhando como diretores de criação e ganhando como vice-presidente", compara. "Esta é a maneira com a qual eu melhor trabalho. Apesar de ser o chairman, vou continuar sendo o chairs-man, com a minha cadeirinha de mesa em mesa", promete.

Além disso, Olivetto avisa que a equipe deve crescer em breve. "Como as duas agências acabam de conquistar novas contas, é possível que a equipe cresça - inclusive o lado online", adianta. Segundo ele, a atual equipe da W/ será "majoritariamente aproveitada" pela nova operação. "Dá para garantir que mesmo, infelizmente, tendo algumas sobreposições, a agência nasce como contratante. Nos últimos quatro meses tanto a W como a McCann ganharam contas e não contrataram, justamente porque não sabiam se o casamento iria ou não acontecer".

Sobre a participação da WMcCann em festivais de publicidade, o chairman pretende manter a postura seletiva que vinha adotando nos últimos anos na W/, mas não tão ortodoxa. "Fora a restrição total aos fantasmas, vamos ser criteriosos, não vamos exagerar. Seremos um pouco mais abertos do que a W/ vinha sendo. Primeiro porque há os interesses das redes multinacionais nos festivais internacionais, mas nem tanto por causa disso. A W/ podia se dar ao luxo de participar muito pouco de festivais nos últimos anos pelo seu histórico de exagero de premiações. E, segundo, como a W/ sempre manteve muitos profissionais durante muito tempo comigo, essa ideologia acabou contaminando a todos sem frustrar a equipe. Em uma máquina nova e maior como a WMcCann, seremos um pouco mais generosos", promete.

23 de abr de 2010

Brasil tem 49 finalistas no Clio Awards 2010.


A 51ª edição do Clio Awards, que acontece nos dias 26 e 27 de maio em Nova York, anunciou os finalistas de onze de suas 13 áreas. Apenas Rádio e Relações Públicas ainda não divulgaram seus short-list. Nas onze listas de finalistas já anunciadas, o Brasil tem 49 peças com chances de Grand Clios, Ouros, Pratas e Bronzes. A agência com mais finalistas é a AlmapBBDO (34), seguida por DM9DDB (6) e Ogilvy (5). Com um finalista cada, aparecem na lista Giovanni + DraftFCB, Leo Burnett, Neogama / BBH e Publicis.

Há finalistas brasileiros em nove áreas: Print (21), Poster (15), Innovative (3), Billboard (2), Integrated (2), Interactive (2), Direct Mail (2), TV (1) e Design (1). Em duas áreas o Brasil não teve finalistas: Content & Contact e Student. No ano passado, o Brasil teve 31 peças finalistas no Clio, saindo do festival com 16 estatuetas. Já em 2008, o país amargou um dos seus piores resultados na competição, voltando para casa com apenas duas estatuetas, entre seus 13 finalistas.

Saiba mais em clioawards.com

22 de abr de 2010

Sexta tem encontro do CCCS.

Sexta tem encontro do Clube de Criação de Caxias do Sul, às 19h30min, no La Barra. Sócio do CCCS não paga entrada. Basta apresentar a carteirinha de Pé Roxo. Venha bater um papo com a gente e discutir questões referentes ao Clube. Aproveite a oportunidade para se associar!

16 de abr de 2010

Vaga Studiodesign Comunicação.

Seleciona Diretor(a) de Arte.

Requisitos: Experiência na função, habilidade, conhecimento técnico e agilidade em criação publicitária. Conhecimento em vídeo, áudio e fotografia para acompanhar produções. Ter conhecimento nos softwares Photoshop, Ilustrator e InDesign. Interessados enviar currículo com portfólio e pretensão salarial para:
financeiro@studiodesign.com.br

Vaga Liveit.

Liveit seleciona Assistente de Mídias Socias.
Interessados enviar currículo para openyourmind@liveit.com.br

Bastidores da nova campanha da linha de caminhões Volkswagen Delivery.

14 de abr de 2010

XV Fiptur

Twitter abre espaço para a publicidade.

Pela primeira vez, o Twitter abrirá espaço para a propaganda. O microblog anunciou em seu site oficial que, a partir de agora, oferecerá aos anunciantes "tweets" promocionais, nos quais possam ser divulgados marcas e produtos. Tais postagens aparecerão somente no campo de busca, quando os usuários digitarem o termo e este coincidir com o nome do produto ou da marca postada pelo anunciante. A iniciativa começa a materializar a nova visão do microblog que, há alguns meses, declarou que pretendia abrir mais espaço para a participação publicitária - algo que seus fundadores haviam rejeitado na época de sua criação.

De acordo com o co-fundador do Twitter, Biz Stone, as mensagens publicitárias não terão uma linguagem tradicional, mas sim uma abordagem que, segundo ele, se identifique com o estilo dos usuários do microblog e se enquadre aos temas ali tratados. Algumas empresas, como a Sony Pictures e Starbucks já assinaram contratos para exibir suas marcas na rede social. A nova medida traz consigo a missão de fazer com que alta popularidade do Twitter também possa gerar lucro. De acordo com a companhia, como estratégia, foi preferível utilizar, no início, uma abordagem mais lenta e prudente, a fim de não prejudicar os usuários com a inserção de muitas mensagens publicitárias.

Apesar da abertura para a publicidade, o confundador do Twitter ainda mantém uma postura cautelosa. Segundo ele, caso os usuários rejeitem ou não interajam com os "tweets" publicitários de uma forma satisfatória, esse modelo de anúncios será revisto e, poderá, até mesmo, ser eliminado.

13 de abr de 2010

Brasil fechará 2010 como 6º maior da mídia mundial.

Se considerados os investimentos em mídia, o Brasil ocupou em 2008 a oitava colocação, atrás justamente das sete maiores economias do mundo, de acordo com levantamento do bureau de mídia GroupM, que pertence ao grupo WPP, o maior do mercado publicitário. E de acordo com as previsões mais recentes, o País deverá galgar mais duas posições até o final de 2010, ultrapassando Itália e França, ficando atrás apenas de, pela ordem, Estados Unidos, Japão, China, Alemanha e Reino Unido.

O GroupW levantou ainda o investimento que se faz em mídia per capita, o que demonstra que o Brasil tem muito espaço para crescimento. Os Estados Unidos investiram em 2008 US$ 518 para cada cidadão do país, enquanto o Brasil ficou com US$ 64 por cabeça, um número que deve saltar para US$ 78 até o final de 2010. No Japão, a média per capita chegou a US$ 407, contra US$ 27 da China. Mesmo sendo o terceiro maior mercado da publicidade, os asiáticos tem uma população de 1,3 bilhão, o que leva a média para baixo. Dentre os europeus, a Alemanha investe em média US$ 311, o Reino Unido outros US$ 343, a França US$ 256 e a Itália US$ 250.

No que tange à economia como um todo, dados da consultoria britânica Economist Intelligence Unit divulgados pelo jornal Folha de São Paulo nesta semana mostraram que o Brasil voltou a ser a oitava maior do mundo, de acordo com o PIB em dólares de 2009, que chegou a US$ 1,53 trilhão. Em 2007, o país estava na 10ª posição, atrás de Espanha e Canadá, e em 2008 chegou ao nono lugar. O ranking de PIB, segundo a Economist Intelligence Unit, é liderado por Estados Unidos, com US$ 14,26 tri, seguido por Japão (US$ 5,07 tri), China (US$ 4,91 tri), Alemanha (US$ 3,35 tri), França (US$ 2,68 tri), Reino Unido (US$ 2,19 tri) e Itália (US$ 2,12 tri). Atrás do Brasil estão Espanha, Canadá, Índia e Rússia.

12 de abr de 2010

Ibope radiografa imagem da publicidade no Brasil.

O brasileiro é um apaixonado por propaganda, mas nem por isso se deixa enganar. Essa é a essência de uma pesquisa encomendada ao Ibope pela Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), que a apresentou na sexta-feira 9. Foram ouvidos mais de dois mil consumidores entre 16 e 55 anos em nove capitais. Mais de dois terços reconhecem a importância da propaganda em suas vidas (62%). O dado mais animador é o apreço manifestado pela atividade: 43% declaram gostar da publicidade. A propaganda política, porém, tem desempenho oposto: 57% não gostam nada dela.

O espírito crítico dos consumidores ficou mais evidente naqueles de classe A (apesar de 61% serem favoráveis) e, no critério geográfico, no Rio de Janeiro e em Fortaleza. Os efeitos da propaganda foram avaliados como informativo (66%), persuasivo (25%) e econômico (10%). O grupo majoritário entende a propaganda como fonte de informação, enquanto o segundo se divide bem entre os que consideram a propaganda como persuasiva e que traz mais opções de escolha aos consumidores. O grupo menor entende que a propaganda permite melhor conteúdo nos veículos de comunicação (40%) e preços acessíveis aos mesmos (49%), além de contribuir para uma concorrência saudável entre as marcas (71%).

A pesquisa também dividiu os consumidores em cinco categorias, de acordo com a relação que nutrem com a propaganda. A predominância foi dos apaixonados (30%), seguidos dos reguladores e os racionais (19% cada); os apaixonados desconfiados (18%) e, por fim, dos rejeitadores (14%). O primeiro grupo tem uma relação de confiança total com a propaganda, valorizando a função persuasiva da propaganda. Os reguladores reconhecem a importância, mas não se sentem seduzidos e são favoráveis ao controle e regulamentação da atividade. Os racionais valorizam mais a função informativa, mas veem as restrições com atitude autoritária. Os desconfiados são semelhantes ao primeiro grupo, mas são mais ressabiados; enquanto os rejeitadores não gostam, entendem como indução ao consumo desnecessário e são favoráveis a rígida regulamentação.

Os temas mais polêmicos do setor também foram submetidos aos entrevistados, dos quais apenas 38% declaram saber que existem órgãos reguladores. Apenas 9% citaram o Procon na pesquisa estimulada, número que cai para 7% na espontânea. O Conar, por sua vez, foi citado por apenas 3% nas duas amostras, apesar de 14% declararem "já ter ouvido falar" e 69% considerarem sua atuação como "muito boa", além dos 19% que a consideram "boa".

A maioria não considera que a propaganda voltada ao público infantil deva sofrer grandes restrições, com aprovação de 49%. Esse número sobe para 55% entre aqueles com filhos até 12 anos, mas cai para 46% entre aqueles sem filhos com menos de 12. A atitude é bem menos liberal quando o assunto é propaganda para cigarros, bebidas destiladas, cervejas ou vinhos, com defesa da proibição de 64%, 34%, 29% e 27% respectivamente. "As pessoas não são indefesas. Entendem o papel da propaganda, a valorizam, mas também reagem quando acham necessário", afirma Nelsom Marangoni, CEO do Ibope Inteligência.
Valeu Mano! Agora o La Barra também é Pé Roxo!





Fotos: Paulo Pretz.

6 de abr de 2010

Sexta tem encontro do CCCS.

Sexta tem encontro do Clube de Criação de Caxias do Sul, às 19h30min, no La Barra. Sócio do CCCS não paga entrada. Basta apresentar a carteirinha de Pé Roxo. Venha bater um papo com a gente e discutir questões referentes ao Clube. Aproveite a oportunidade para se associar!

5 de abr de 2010

Parece mas não é.

Ao ler um artigo no M&M, eu me lembrei da discussão que vimos aqui durante a semana passada sobre chupadas. O autor, Hélio Mattar do Instituto Akatu, fala da origem da palavra ‘sincero’. Sincero quer dizer ‘sin cera’: “expressão usada para caracterizar a qualidade dos vasos de barro que não se romperam ao secar ao sol”. Por isso, não precisavam de cera, ou seja, de retoques para cobrir as imperfeições. Vivemos uma era em que ser íntegro, sincero e transparente é bem melhor do que sofrer a vergonha de alguém descobrir o que você fez. E isto é cada vez mais rápido e fácil. Acabou-se o tempo em que alguém dizia: “Ah, isso foi feito lá no Longistão em 2001, ninguém vai ver.” Mas vê sim. Com o mundo digital, já era.

Qualquer semelhança faz com que o internauta não acredite em mera coincidência. Faça um lançamento de carro com “Happy Together” (que pessoalmente adorei e ficava cantando) que um Kibeloco levanta a lebre de uma campanha de batata frita lá na Austrália. Aqui no Vale do Paraíba também é assim. Cópias de Anuário, Archive, American Logotypes, CCSP Online, Ads of the world… são coisas que vemos por aí com mais freqüência do que se imagina e que correm o risco de acabarem aparecendo aqui. O ctrl+c, ctrl+v não pode correr solto. Ser original dá tanto trabalho? A partir dessa, me vem uma série de perguntas: ‘Qual o limite entre a referência e cópia?’ ‘Até onde dá pra ir?’ ‘Plágio, fórmula pronta ou linguagem?’ A resposta é ‘depende’, claro. Vai do botãozinho lá dentro de cada um que já deveria vir de fábrica: o desconfiômetro. Ainda que fosse para resolver um job em 5 minutos, não existe crime maior ou menor, nem fins que justifiquem meios. Referências precisam ir além da própria Propaganda, ou corremos o risco de vivermos o mundo ao redor apenas de nossos umbigos.

Mas e as coincidências? Não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem. Precisamos ter muito cuidado com clichês e recursos fáceis de uma propaganda autocentrada. Peças das quais se trocássemos os logos, pareceriam todas parte de uma mesma campanha. Pessoas felizes, famílias no parque, pessoas famosas sorrindo… me responda, quais são as diferenças entre os folhetos de empreendimentos imobiliários que você já viu? Provavelmente você se lembra de quem ousou e foi diferente. Essa é uma verdade que não se restringe a esse segmento exclusivamente, mas vou citar um exemplo. Eu me lembro de uma peça da Atributo em que fizeram um folheto em forma de disco de vinil, já há algum tempo, para um empreendimento. Com uma faca simples, mas que destoava dos demais. Eu queria ter feito aquilo.
Escrevi no comment da discussão que gerou a coluna de hoje que Briefings parecidos geram soluções parecidas. Passar segurança, credibilidade e confiança não é briefing, é condição, é premissa, senão ninguém compra de você. Cabe à equipe envolvida no job, independentemente do departamento, ver além do que é aparente e começar do começo já sendo criativo e observando o produto de maneira diferente. Ou correr o risco de fazer mais do mesmo.

Fonte: www.ccvp.com.br

1 de abr de 2010

Mais uma desculpa para viajar.

Para quem não foi na palestra, um resumo da mesma, nas palavras do Gabriel Prehn Britto:

Viajar estimula a criatividade? Eu tinha certeza disso quando me propus a falar sobre o tema na palestra do CCCS, mas minha convicção era baseada exclusivamente em experiências pessoais. Sempre senti que voltava das viagens louco para fazer coisas novas, querendo mudar isso e aquilo. Porém, nunca havia encontrado (e nem procurado) nenhuma comprovação científica da minha pseudo-teoria. Era achismo brabo mesmo. Então fui atrás de algo com mais credibilidade do que eu, para não passar por charlatão na frente dos criativos de Caxias do Sul. Pesquisa aqui, clica ali, acabei encontrando a prova que faltava para saber que eu estava certo.

Foi uma pesquisa, a primeira sobre o assunto, comandada pela Insead e pela Northwestern University, publicada na American Psychologist, em abril de 2008, com o título “Multicultural Experiences Enhances Creativity: The When and How”. Deixando o cientifiquês fora deste post e indo direto ao que interessa: o resultado mostrou que as experiências multiculturais podem, sim, melhorar o desempenho criativo e a capacidade de resolver problemas que exijam ideias novas. Em números, segundo o artigo do Johan Lehrer publicado na The San Francisco Panorama, o estudo diz que pessoas que viveram fora do seu país têm 20% mais probabilidade de resolver um determinado teste criativo.

Por quê? Pelo óbvio. Viajantes vivem lidando com pontos de vista diferentes sobre assuntos idênticos, por isso percebem que existem formas diferentes de interpretação dos problemas. Sensacional, não? Mas o mais importante é que o mesmo estudo mostrou que a melhora no desempenho criativo está ligada ao grau de abertura do viajante às novas culturas com as quais entra em contato. Ou seja, pouco adianta você ir para a Cochinchina se insistir em ficar fechado no seu mundinho, sem procurar participar/entender a cultura local. Aliás, se for para isso, por que mesmo você viajou?

Com a ciência me dando apoio, me achei o máximo e saí atrás também de uma opinião filosófica para o assunto. Encontrei no papa dos preguiçosos: Domenico de Masi. Olha o que ele diz no excelente livro O Ócio Criativo: “Nós fomos primeiro nômades e depois nos tornamos sedentários. (…) Mas o antigo nômade que ainda vive dentro de nós não morre nunca, e, quando a gente menos espera, a sua inquietude neurótica desperta do sono para nos obrigar a sair pelo mundo. (…) O nômade (…) conserva um segredo de felicidade que o cidadão perdeu (…). Para reencontrar este segredo, os cidadãos são atiçados pelo demônio da viagem (…) usam como pretexto os negócios ou as férias. Fazem as malas e partem. (…) Mozart não fez outra coisa a não ser girar pelo mundo (…). Cada viagem contribuiu para enriquecer e refinar o seu espírito musical, até fazer dele o grande gênio que todos conhecemos.”

E a melhor parte do tio Domenico: “Mudar de lugar estimula a criatividade.” Um grand finale teórico perfeito para o que eu sempre senti na prática.

Fonte: www.oqueeufiznasferias.com.br